terça-feira, 28 de março de 2017

Cooperativas ad hoc e concorrência desleal com apoio oficial

-A história do mel, não acabou na minha produção inviável do artigo anterior, foi preciso ir mais longe porque só na minha freguesia há mais 29 casos iguais ao meu, e claro para escoar o produto, havia necessidade de uma cooperativa que nos alivia-se da preocupação de vender, já que isto é um hobby, nunca estamos em casa e queremos fins de semana livres de chatices e interrupções. Eis que tivemos uma ideia brilhante.

Fomos à junta de freguesia, os 30 produtores juntos, chorámos as nossas dificuldades, o presidente ficou sensibilizado e levou-nos à Câmara Municipal cujo presidente também foi incansável em nos ajudar. Mas quis envolver o departamento de apoio à economia do governo, afinal este é um trabalho do âmbito deles e o centro de emprego também foi envolvido.

Sugerimos a criação de uma cooperativa, ideia apoiada pelas 3 entidades, que logo se disponibilizaram a ajudar:

  • A Junta de Freguesia paga a renda do espaço para venda ao público
  • A Câmara tratou do mobiliário (estantes e afins)
  • A Junta até deu um PC velho que estava lá abatido
  • O departamento de economia apoia no marketing, embalagens, rotulagem
  • O centro de emprego cede 2 funcionários, ao abrigo dos programas de reintegração de trabalhadores em desemprego de longa duração.
O que ninguém pediu foi:
  • Estatuto da cooperativa
  • Ninguém assinou nenhum contrato
Afinal somos uma cooperativa Ad hoc, que não está formalmente constituída, não temos número fiscal, estatutos nem coisa nenhuma, somos 30 indivíduos que estão com actividade aberta nas finanças, conseguimos com o chico espertismo, convencer estas entidades a nos apoiar e voilá, fazemos concorrência desleal a quem está legalmente no mercado, somos 30 famílias o que dá um número de votos que não é desprezível e como temos apoios oficiais beneficiamos de:

  • Asae não nos incomoda
  • Apesar de vendermos produtos alimentares (mel) os nossos funcionários não tem boletim de sanidade
  • Se o cliente quiser factura, tem de esperar que um dos 30 produtores a emita em papel e depois a deixe mais tarde na loja para o cliente ir levantar noutro dia
  • GNR não vem cá ver se estamos com a documentação em dia
  • GNR não vem fechar o caixa como faz nos negócios legalmente constituídos para ver se há fugas ao fisco.
  • Não somos obrigados a ter seguros
  • Não somos obrigados a pagar a ninguém por causa da Higiene e Segurança no Trabalho
Não temos qualquer custo de funcionamento, e todo dinheiro que fazemos é "seco e joeirado", somos uma actividade primordial, ao protegermos as abelhas que estão em vias de extinção ficamos automaticamente isentos de cumprir leis, como os outros comerciantes de outros ramos de actividade.

Este artigo espelha a realidade de muitas situações existentes neste país há anos e anos, onde o dinheiro dos contribuintes serve para fazer campanha o ano inteiro, de forma descarada a concorrer com quem paga impostos, seguros, IVA, pagamentos por conta, formação e higiene e segurança no trabalho.

Se transporto uma ferramenta no carro sem uma guia de activos próprios sou autuado, por fugir aos impostos, nestes casos que todos conhecem e ninguém denuncia, como é que vai ficar?

PS: A Junta de Freguesia quer apoiar-nos para legalizar a nossa situação e adquirir programa de facturação certificado, mas como não nos entendemos quanto ao formato da cooperativa a coisa continua assim numa total anarquia, ainda para mais em ano de eleições autárquicas.

Se todos pagarem impostos e os nossos representantes eleitos não o jogarem à rua sem critério, será necessário cobrar menos impostos a cada um; exija, afinal os eleitos estão lá para nos defender e não para promover a nossa desgraça, não somos nós que devemos tirar o chapéu à sua passagem, mas sim eles tem que fazer o que lhes compete se quiserem manter o poleiro, de 4 em 4 anos temos a arma da eleição nas mãos para corrigir estas situações completamente absurdas.

Se conhece casos semelhantes comente este artigo, partilhe-o e faça-o chegar a quem o pratica para que corrijam urgentemente, obrigue que façam do seu dinheiro aquilo que você faria.

Qualquer semelhança deste artigo com a realidade, é mesmo verdade!



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