segunda-feira, 27 de março de 2017

O Mel é doce e o governo é Parvo

-Na minha actividade diária que me ocupa 12 horas por dia e alguns fins de semana fechado a organizar documentos e fazer reparações; no entanto decidi aproveitar os apoios do governo à apicultura e eis a história de actividades sem rei nem roque.

Fiz um projecto numa empresa da especialidade que me pediu 1000€ + IVA, mas que me "aconselhou" a solicitar as facturas proforma a clientes seus cuja contabilidade é assegurada pela própria. Se me causou estranheza rapidamente percebi que os 1000€ + IVA seriam diluídos e pagos por estas empresas e não por mim.

Assim:
Colmeias, Enxames e utensílios de trabalho na empresa C
Frascos na empresa F
Rótulos e blocos de facturas na empresa R

Todas as empresas inflacionaram os preços por forma que a percentagem do apoio cobrisse 100% do investimento e ainda o custo do projecto ou seja as proformas.

Passado um ano foi aprovado o projecto, procedi à compra e ao pagamento (com dinheiro de um micro crédito a juros simbólicos e com 24 meses de carência) de todo o material correspondente às proformas apresentadas no projecto, entreguei no departamento responsável com os recibos comprovativos de pagamento e passados 6 meses recebi o valor "investido" na percentagem apoiada de volta, que não cobriu o valor total do micro crédito contraído.

Os fornecedores ficaram assim com as "taxas" de serviço correspondente à sobre facturação e pagaram à empresa que fez o projecto, ainda tendo recebido um presunto da empresa que me forneceu o grosso do material.

Passado um ano, voltei a apresentar um pedido para mais Açucar, frascos e rótulos e fui novamente apoiado. De novo sem qualquer fiscalização.

Ora na primeira colheita extrai 36 litros de mel, 6 dos quais ficaram para uso pessoal, e 30 litros deram 150 frascos de 200ml que vendi maioritariamente a particulares e sem factura, apenas emiti 4 facturas nesse primeiro ano de 10 frascos no total, dei conta que dos 200 frascos recebidos, 20 partiram na viagem e no processo de esterilização, o que faria:

200 recebidos
20 partidos
150 utilizados
restariam 30 frascos e 50 rótulos não utilizados, mas ninguém veio confirmar nada.

Assim no ano seguinte pedi 300 frascos, 300 rótulos e 30 kg de açúcar que é dado às abelhas como alimento na época em que não há flores; produzo assim mel biológico, apesar das abelhas na primavera e verão irem de flor em flor nos terrenos circundantes que não são meus e sobre os quais não tenho nenhum controle de que químicos usam os meus vizinhos, ainda assim produzo "Mel biológico" a 5€ por frasco de 200ml, porque eu não coloco nenhum aditivo ou conservante.

Na venda de 150 frascos realizei 750€, que nem corresponde a 10% do investimento, mas apenas facturei 50€, mais uma vez ninguém se preocupou em fiscalizar que o apoio recebido era totalmente gasto num projecto inviável não fora ter sido tudo "dado".

Esta é a triste realidade dos apoios ao regresso às origens, em que algumas actividades são autênticos sorvedouros de dinheiro dos contribuintes sem rei nem roque e rédea solta, façam as contas a quantos milhões de euros são assim esbanjados sem nenhuma utilidade prática e que não criam riqueza nenhuma nem para o país nem para os próprios produtores.

Não deixe de comentar e dar a sua opinião, no próximo artigo, o mel vai continuar a vos surpreender com mais um episódio anedótico e real em muitas actividades "protegidas" por dinheiro dos contribuintes.

Qualquer semelhança deste artigo com a realidade, é mesmo verdade!




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